É uma condição caracterizada pela ardência de algumas regiões da boca sem alterações clínicas evidentes. Essa ardência na boca deverá ocorrer de 2 a 3 horas por dia, sendo mais comum no final da tarde e deve ser referida a mais de 3 meses. A SAB acomete mais mulheres após menopausa e pode estar associada a quadros de depressão e ansiedade. Atualmente é considerada pela classificação internacional das cefaléias como uma dor neuropática, o que caracteriza uma alteração de fibras neurais finas da mucosa bucal.

Para realizar o diagnóstico da SAB primária, o profissional de saúde, médico ou cirurgião-dentista deverá descartar condições locais que causem ardência durante o exame clínico cuidadoso da mucosa bucal. É importante também solicitar exames para descartar condições de base que provoquem a ardência bucal, como por exemplo, diabetes, anemia ferropriva e perniciosa. Outro exame complementar simples e de extrema importância é a sialometria que mede a quantidade de saliva produzida em um determinado período de tempo com o objetivo de identificar alterações nas glândulas salivares.

O tratamento da SAB é realizado por uma equipe multidisciplinar composto por psiquiatra ou neurologista, dentistas com especialidade em estomatologia e dor orofacial e psicólogos. Esse tratamento compreende uso de medicamentos como, clonazepam tópico ou sistêmico, gabapentina, ácido alfa-lipóico, fotobiomodulação (laser de baixa potência) e psicoterapia.